Carne de panela com molho de ferrugem

2 abril 2016

Os posts da coluna escritos pela Tatiana e Flávia do Culinária para convivência são sempre recheados de sinceridade, verdade, amor, cumplicidade, dicas e receitas deliciosas!  Sempre espero algo que toque o coração e que me faça salivar, mas ainda assim elas conseguem superar as minhas expectativas.

Hoje a Tati abriu o seu coração e expôs como a culinária foi uma pedra de tropeço no casamento mas também a cura para o relacionamento do casal. Uma grande lição para nós! E além disso, tem uma receita deliciosa de carne de panela com molho de ferrugem e purê de batatas em forma de quadrinhos, super fácil de entender. Me digam se elas não arrasam?!

Titulo colunaOlá queridas,

Tudo bem? Como sabem, desde de pequena me interesso pela cozinha, no entanto foi após o casamento que “vesti a camisa” de cozinheira e anfitriã. Realmente foi um momento mágico: idealizar o lar juntos, pensar em como seria o nosso dia-a-dia, montar uma casa (nessa parte os presentes ajudam muito!). No meu caso foi tudo muito natural, constatando que realmente havíamos sido feitos um para o outro. Meu marido e eu curtíamos cada etapa, desde a escolha dos itens até a organização de toda a casa. Logo após o casamento, nada melhor do que chamar os amigos e familiares para conhecer o novo lar. Mesmo não tendo todos os móveis (minha mesa de jantar demorou seis meses para ficar pronta, pois foi feita de madeira maciça, que era relíquia de família), eu recebia sem frescuras, afinal eram todos de casa. Uma coisa que sempre gostei muito de fazer é o lanche da tarde, já que essa é uma das minha refeições prediletas. E como boa boleira e mineira que sou, nada melhor do um bolinho gostoso acompanhado de um bom pão de queijo (feito em casa, claro!). Ah, e o jantar a dois? Era quase todo dia. Chegava à noite, sempre tínhamos um motivo para abrir um vinho e comer algo que eu preparava. O que sobrava do almoço eu remodelava e transformava em algo diferente.

Acontece, que sem perceber, eu dominei a cozinha completamente e excluí meu marido sem me dar conta do quanto eu estava prejudicando nossa relação. E foi tudo bem natural também. Inclusive, antes de nos casarmos ele morava sozinho, arriscava alguma coisa na cozinha e ainda lavava a própria roupa, acreditam?! Depois do casamento, mal ia à cozinha! Porém, depois de um bom tempo, comecei a me sentir muito incomodada e solitária e meu diálogo interno passou a ficar um pouco amargo: “por quê só eu que cozinho? Por que ele não me ajuda? Nem tirar a mesa ele pode?” E assim fui ficando cada vez mais chateada, resmungona e consequentemente, chata. Ninguém quer isso, não é? Queremos sempre ser uma esposa amorosa e compreensiva. Mas, acima de tudo, temos que nos respeitar e sentir que somos respeitadas. Demorei para enxergar que temos que olhar para dentro de nós antes de apontar os defeitos do outro. Demorei a perceber que eu estava exigindo uma coisa que ele nem estava percebendo. A maneira de demonstrarmos como estamos nos sentindo é muito importante. Eu só resmungava e ficava de cara feia, cheguei a perder o entusiasmo de cozinhar. Só que eu não me sentia feliz, era como um passarinho na gaiola. O meu maior prazer era cozinhar, contudo me sentia sem estímulo.

Foi quando, num desabafo com a Flavinha, após uma longa conversa, pude perceber que não adiantava eu me fechar, me recolher e lamentar. Vi que a mudança deveria começar em mim, aprendendo a pedir ajuda e a mostrar que o quero na cozinha comigo. Nesse momento, uma lâmpada se ascendeu sobre minha cabeça (e no meu coração); tudo o que eu tinha que fazer era me abrir e dizer como estava me sentindo. Aliás, é o que sempre devemos fazer: mostrar nossos sentimentos para que possamos ser compreendidos.

Após uma conversa clara e meiga (não houve qualquer acusação nem cobrança), curtimos um momento delicioso e fomos juntos para a cozinha. Estávamos sozinhos em casa, já que nossa filha havia viajado com os avós. Oportunidade perfeita, não era? E soubemos aproveitá-la. Havia sobrado um pouco de carne e inhame do almoço. Trocamos uma ideia e decidimos aproveitá-los, porém dando uma incrementada. Ele sugeriu um purê do inhame, enquanto eu propus acrescentar um pouco de mostarda, mel e shoyo ao molho da carne. Como o inhame era pouco, fizemos mais um pouco de purê de batatas. Mais do que um prato delicioso, o melhor foi compartilhar junto com meu amor um momento de cumplicidade, sabendo que podemos superar qualquer insatisfação que estejamos vivendo.

Espero que minha história sirva de inspiração para muitas pessoas. Não só com o marido, mas em qualquer relação, temos que estar abertos a nos enxergar antes, uma vez que somos os únicos responsáveis com construir nossa realidade. E se não estivermos satisfeitos, temos o direito e o dever de proporcionar a mudança, que cabe, única e exclusivamente a nós. Lembrem-se “o seu mundo muda quando você muda”.

Um grande beijo e muita sabedoria em nosso caminho.

Ah, vou mostrar hoje a receita deliciosa dessa carne de panela com molho ferrugem. Sempre faço uma quantidade maior para sobrar para o jantar, pois com são diversas a opções de variações. Desfio a carne restante e deixo o molho bem encorpado. Como posso fazer um macarrão, uma polenta e até um delicioso sanduíche. Ai vale a imaginação. Vamos experimentar? Queremos saber o que estão achando!

Obs.: Na noite do nosso jantar acrescentei mostarda, mel e molho de soja à carne. Eu achei que não ficou tão gostoso. A mistura desses três ingredientes é delicada, pois a proporção influencia muito no sabor. Nesse dia específico coloquei muito shoyo, roubando toda a suavidade do molho.

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